quinta-feira, 22 de fevereiro de 2018

G. M. 2018 ...

Garoeiro – Natal, RN. 22 de fevereiro de 2018.












Em conúbio com a imprensa,
Embalado no marafo,
Aproveito a desavença
De enganoso desabafo,
- Tanto crente em parecença
E no descrente, sarrafo! -
Que reclamo da detença
No que clamo, no que grafo,
Contra punitiva crença
De curitibano bafo,
E em libertária sentença
O réu que desengarrafo
Inclui no alvará que avença
O incenso em que me safo...

quarta-feira, 21 de fevereiro de 2018

A lagoa e o oceano

Garoeiro – Natal, RN, 21 de fevereiro de 2018.















Que bom que a dor da vida a gente esquece,
Mas teu amor agora dói em mim...
Nem se entende, nem nunca se esclarece
O que nos vai doer depois do fim.

Sentir o que passou no que acontece
É sentimento bom no que é ruim,
Por conta de sensação que parece
Num deserto regar verde jardim.

Sem a tragédia da separação,
Talvez sobrevivesse de ilusão
A nossa vida boa lá de casa.

Louva o penar numa lagoa rasa
Só de sonhar que ali é o oceano,
Quem por amar resolve o desengano...

terça-feira, 20 de fevereiro de 2018

Menino poeta

Garoeiro – Natal, RN, 20 de fevereiro de 2018.













De tua pura essência, ó Poesia
Que amo, ou fico longe, ou perto passo,
Se em teu imortal nó de tempo e espaço
É a sedução esquiva, fugidia.

Te insinuas pelo que eu antes via,
Quando este anseio era um primeiro passo,
Mas sem te achar minh’alma já tardia,
Inteira, nos poemas que refaço.

Eras tão dada, lá naquela idade,
Que pela extrema naturalidade
Serias, eu pensara, o meu destino.

Destino, enfim, que encaminhei errado,
Por só teu bem cantar desencontrado,
Se em mim moraste quando fui menino.

segunda-feira, 19 de fevereiro de 2018

Caravaggio

Garoeiro – Natal, RN, 19 de fevereiro de 2018.


















Pintava anjos no céu
Aquela gente perdida,
Santificada em troféu
Por divina luz tangida.

Porém, rei do escarcéu,
Tinha a arte repartida
Entre a fama do labéu
E a chama reluzida.

Da arruaça no bordel
Pela fecha produzida,
Ouve do guarda bedel,
Na polícia conhecida:

- Ou controlas o tropel
Dessa mágoa ressentida,
Ou verás no beleléu
A tua alma atrevida!

Assim respondendo o réu:
- Mas na histórica medida,
Minha mão e meu pincel
Já me dão eterna vida...

domingo, 18 de fevereiro de 2018

Caminhada na praia...

Garoeiro – Natal, RN, 18 de fevereiro de 2018.
















Essa tristeza me cansa,
Minha alma se desintegra.
No mar a minha esperança:
Volver à essência íntegra.

Nunca mais ouvir cobrança,
Só um por cento de regra:
Ser na praia essa criança
Que qualquer coisinha alegra...

sábado, 17 de fevereiro de 2018

Escólio

Garoeiro – Natal, RN, 17 de fevereiro de 2018.

















O moderno em vós incurso
Vaga sensação realça
De só ser com meu discurso
Dentre vós mala sem alça.

Mas, não me cala o recurso
Que fermenta em vossa balsa,
Posto que o histórico curso
É no eterno que se calça...

sexta-feira, 16 de fevereiro de 2018

A consciência jurídica e o direito

Fundamentos metodológicos e métodos para o estudo da filosofia.
Compêndio – Ed. Progresso – Moscou – 1986. Fragmento.














A consciência jurídica é o sentimento e a compreensão da liberdade, da justiça e da injustiça, dos direitos e obrigações dos homens no Estado, os seus interesses relacionados com a igualdade ou desigualdade na sociedade, assim como o conhecimento do direito das instituições e das relações jurídicas da sociedade. A consciência jurídica é a reflexão da situação social (econômica, política e cultural) das classes e dos outros grupos sociais. Surge e existe somente numa sociedade de classe e tem caráter de classe.
            Deve compreender-se a diferença entre a consciência jurídica comum (sentimentos, interesses, ideais) e a consciência jurídica teórica, especialmente a psicologia e a ideologia jurídica. A ideologia jurídica é a teoria do direito que manifesta os interesses radicais de uma classe, fundamentando a igualdade ou desigualdade social dos homens na sociedade.
            É preciso revelar a diferença qualitativa entre a consciência jurídica da burguesia e do proletariado.
            Ao revelar o caráter histórico da consciência jurídica, é preciso mostrar que à medida que muda o ser social, muda também a consciência jurídica das classes.
            No processo do estudo do papel da consciência na vida da sociedade, deve analisar-se a sua ligação com o direito e com as relações jurídicas na sociedade. A psicologia jurídica de uma classe, por exemplo, o sentimento de injustiça, o sonho de liberdade e a igualdade, desempenha o papel de estímulo espiritual da luta das massas trabalhadoras pela liberdade e igualdade; mas esta luta é espontânea. E se a influência da sua ideologia política resulta na coesão da classe, na formação do partido político ou na conquista por esta classe do poder estatal, então a classe que chega ao poder cria, em conformidade com a sua psicologia jurídica e com a sua ideologia, os seus órgãos legislativos, o seu direito e instituições jurídicas (procuradoria, tribunal, prisões, etc.); nesta base surgem as relações jurídicas na sociedade. Portanto, o direito é a vontade da classe dominante, elevada à categoria de lei estatal.
            O direito engloba o conjunto de normas ou leis do Estado, fixados na Constituição (Lei Fundamental) e em outros atos. Deve compreender-se que interesses de uma classe o direito manifesta. O direito consolida a igualdade ou desigualdade social das classes e grupos sociais. Numa sociedade de exploração, o direito apoia-se nas instituições criadas e nas forças armadas do Estado para regular coercitivamente a relação dos homens para com a propriedade e o Estado.