quinta-feira, 17 de agosto de 2017

Gil e Maria Amélia...

Garoeiro – Natal, RN, 17 de agosto de 2017.













De joelhos eu me arrosto
No espelho desse instantâneo:
Os olhares que mais gosto,
Num autêntico espontâneo!

Com boa lente eu aposto,
No luzente coetâneo,
Pois iluminando o rosto,
Salva-se o átrio cutâneo.

Mas o além que aqui acosto,
Vê o semblante sucedâneo
Vir do amor que há muito posto,
Sutilmente consentâneo...

quarta-feira, 16 de agosto de 2017

Rostos na caminhada...

Garoeiro – Natal, RN, 16 de agosto de 2017.










Dialética inspiração me esvai
Pelo rotineiro encaminhamento:
Vejo só rostos tristes, sofrimento,
Nenhum semblante alegre sobressai.

Contra o verso cinzento que aqui sai,
Poesia mordaz do desalento,
Ah, como anseio o contentamento,
Que a dura tez de toda a gente trai.

De ver que achar-se bem é uma mentira,
Sigo na caminhada que me inspira,
Por uma sorridente face rara.

Mas, por mais ânsias que minh’alma tenha,
Encontro o mundo que sorrir desdenha,
Que ameaça, maltrata, e separa...

terça-feira, 15 de agosto de 2017

A glória do prazer

Garoeiro – Natal, RN, 15 de agosto de 2017.











O bem mais exigente é o prazer,
Sutilezas compondo na exigência,
Que em só a mais apurada consciência
Nos vem a plenitude merecer.

Prazer ruim, pequeno, há que ver,
Tão trocado na maior displicência,
É a mais desprazerosa incoerência
Que sem parar nos dá o mundo a crer.

Qualquer coisa, de qualquer modo o gozo,
Em qualquer tempo, ou com qualquer um,
É o dado desperdício mentiroso.

Sempre em pouco prazer não há nenhum,
Pois só o que é gozado plenamente
Faz o gozo da alma essencialmente.

segunda-feira, 14 de agosto de 2017

Mais uma ilusão...

Garoeiro – Natal, RN, 14 de agosto de 2017.














Nas duas salvações ao meu dispor,
Que longe de retórico truísmo,
Guiam meus passos à beira do abismo,
A vida vou vivendo só de amor.

Traz o primeiro alento salvador
Um futuro vencendo o egoísmo,
Acabado, em segundo, o mecanismo
De fazer quem é rico vencedor.

Causa em que empenho a minha vida inteira,
Trégua de amar concebe passageira,
Ciente que demora a nossa hora.

Convicção que não me impede embora,
Sonhe alheio meu pobre coração,
Inda assim com mais outra ilusão...

domingo, 13 de agosto de 2017

Difícil amor...

Garoeiro – Natal, RN, 13 de agosto de 2017.

















Em todo o astral sofrido, trabalhado,
Neste mundo que só dinheiro anima,
Amor, contra viver desanimado,
Dá que a potência interior se exprima.

Só que jogo de amar e ser amado,
Impõe que o desejo se reprima,
E encontrar hoje assim, no resultado,
Até amar sem amor conforme o clima.

Mas o anseio é se amar quanto puder,
E a sensação é inteiramente boa,
No embalo para o que der e vier.

A ver, após o fim, por mais que doa:
Ninguém ama no que o coração quer,
Amamos resistindo ao que magoa...

sábado, 12 de agosto de 2017

Oásis no deserto

Garoeiro – Natal, RN, 12 de agosto de 2017.

















Vossa glória é uma duna
Por onde sonhando hiberno,
Sob o deserto onde aluna
A areia do que é moderno.

Vosso poder e fortuna
Vão sonhando o céu no inferno,
Quando é Amor que coaduna
Futuroso bem eterno...

sexta-feira, 11 de agosto de 2017

Esperando o povo...

Garoeiro – Natal, RN, 11 de agosto de 2017.







Não nego à grande luta brasileira,
Inerte em afluir de seus remansos,
A glória incontestável dos avanços
Inscrita na história verdadeira.

O exame em raio-x dessa fieira,
Na cruz que apura o saldo dos balanços,
Desespera de ver corações mansos
Em fuga eternamente da trincheira.

Até as nuvens, os rios, as montanhas,
Têm claro venha o mal lá das entranhas,
No histórico labor de toda a gente.

Em cuja nacional dominação,
Nem Deus fará uma limpeza decente,
Se o povo não fizer revolução...

quinta-feira, 10 de agosto de 2017

Consolo revolucionário...

Garoeiro – Natal, RN, 10 de agosto de 2017.













A debandada atroz vinda no vento
De aliados da fé na meia-luta,
Nos dizima pelo convencimento
De vitoriosa a trincheira astuta.

Contra dor me acudiu prosseguimento,
Motor da paz que a alma hoje desfruta,
À margem dessa esquerda cata-vento,
Por sua ideologia irresoluta.

Por seu entendimento que em resumo,
Ao só pautar avanço no consumo,
Trai o povo na busca do caminho.

Seja, pois, vossa derrota ensejo
Para lembrar a luta que almejo,
Por mais um pouco, só mais um pouquinho...

quarta-feira, 9 de agosto de 2017

Defeito

Garoeiro – Natal, RN, 9 de agosto de 2017.

















Certos rostos só de olhar,
Sem saber por que rejeito,
Justo a mim que tolerar
Tem metade do meu peito,
Cansado de perdoar.

O defeito inusitado,
Na versão que me convém,
Pode bem ser explicado
Ao lembrar, talvez, alguém,
Que não deva ser lembrado...

terça-feira, 8 de agosto de 2017

Perdida doçura...

Garoeiro – Natal, RN, 8 de agosto de 2017.












Desta separação que amor suscita,
Costuma povoar-me a solidão
Toda a nossa fustigação bendita,
Buscando a saciedade da paixão,
Por via insaciável, infinita...

Também diversa imagem me atropela,
Ausente já a desfeita paixão louca,
Lembrando aquela cara linda dela,
Sorrindo num prazer em toda a boca,
Meigando-me a doçura que não mela...

segunda-feira, 7 de agosto de 2017

A fava e os grãos...

Garoeiro – Natal, RN, 7 de agosto de 2017.













Além do que em tudo assista,
Nossa alma tanto apela;

Todo o aparente é profundo
Que aparência esconde essência;

Vem do que não vê o mundo
Do Poeta a consciência;

Cujo dom essencialista
Mostra a semente na tela;

A granulação de artista,
Dentro de capa tão bela;

E o invisível oriundo,
Em claríssima evidência;

E a fava já sem ser vista
Mais, nos grãos que então revela...

domingo, 6 de agosto de 2017

Tentações literárias

Garoeiro – Natal, RN, 06 de agosto de 2017.
[ Para: Jacqueline Aisenman, agora, na Veia Magazine... ]

















— Vinde a nós, artistas da dor que encanta,
Sem minorar nenhuma dor, embalde,
Deixai que a Feira Literária salde
A esperança que a vossa obra implanta!

— Tentar me confundir nem adianta,
Já que sofri a vida inteira a fraude:
Notáveis que vosso mercado aplaude,
Morrem sem o canto que a História canta...

— Na letra culta só tereis ingresso
Depois de muitas obras de sucesso,
Aqui, na nossa Feira Literária!

— Pois, eis que cumpro meu anonimato,
Fazendo alheia ao vosso espalhafato,
Literatura da letra contrária...

sábado, 5 de agosto de 2017

Cracolândias...

Garoeiro – Natal, RN, 5 de agosto de 2017.











Tão errado mundo, embalde,
É a apologia do certo:
Quem adere à sua fraude,
Julga ter caminho aberto.

Mas sofrendo vil revés,
Toda essa iludida gente
Vai engrossar as ralés
Da Cracolândia crescente...

Eu também sofri reveses
De causar destruição,
Mas sempre trilhou vieses
De amor meu coração...

sexta-feira, 4 de agosto de 2017

Ciladas de amor...

Garoeiro – Natal, 04 de agosto de 2017.












- Ele quer tudo de mim, e eu não sei,
No clima, ainda resisto um bocado,
Sem ver se é falha no que então amei,
Diante de um desejo apaixonado.

Meu reino para que ele seja rei,
Me quer o tempo todo em seu reinado,
Impondo ao meu amor a sua lei,
Prenúncio de amar tudo dominado...

- Aberrações de amar, tão noveladas,
Iludem os amantes com ciladas,
Mas a verdade do amor não é nova:

Não quer tomar, que antes se oferece,
Dá, cada vez melhor, enquanto cresce,
Pois em se doar todo é que se prova...

quinta-feira, 3 de agosto de 2017

Vergéis...

Garoeiro – Natal, RN, 3 de agosto de 2017.




















A saga literária é regada
Mais por dois históricos regadores:
O anseio de escrever dos escritores,
E a fé que a obra sobreviva ao Nada.

No gosto da leitura incontestada,
Na rega solidária dos leitores,
Vão buscar seus vergéis indicadores,
Que é o que nutre a vontade na jornada.

Vontade a propender que aqui assuma
Fato que a sonhar minha obra ruma
Também a algum lugar na eterna mesa:

Ao pó, imune, dos esquecimentos,
Porém, de uma especial grandeza,
Pulsante além dos reconhecimentos...

quarta-feira, 2 de agosto de 2017

Pudor

Garoeiro – Natal, RN, 2 de agosto de 2017.












Jorra das burras da publicidade,
Escrava do mercado imperador,
A moda que vai pondo o pudor
Sob domínio da obscenidade.

A pretexto de ataque à castidade,
E defesa geral do destemor,
Não deve integridade ter valor,
Que é lei de feira a vulgaridade.

Aos poucos essa gente liberada
Na liberdade que só tem comprada,
Começa a ver que o mel era veneno.

E sonham uma outra sociedade,
Onde já lá, na nova realidade,
A ninguém seria nada obsceno...

terça-feira, 1 de agosto de 2017

Fada Madrinha

    Um Varal para Jacqueline


De: Ana Rosenrot
Para: Jacqueline Aisenman



















Fada Madrinha
Ana Rosenrot – Jacareí, SP, 1º de agosto de 2017.

Nunca acreditei em contos de fadas, mas hoje, afirmo com todas as letras que tenho uma “Fada Madrinha” e ela tem nome, sobrenome e endereço: seu nome é Jacqueline Aisenman e ela vive em Genebra.
Venho caminhando pela literatura desde sempre…Um caminho cheio de pedras, desvios…Um verdadeiro labirinto…
Confesso que não tinha muitas esperanças sobre o meu futuro literário, a incerteza e os desafios pareciam grandes demais…Foi quando conheci a Revista Varal do Brasil…Achei a proposta incrível: um varal literário entre o Brasil e a Suíça, com oportunidades iguais para todos os autores…Enviei um texto e daquele momento em diante conheci Jacqueline e fui “tocada” por sua magia…Foram 5 lindos anos de aprendizado, companheirismo e amizade, onde pude mostrar meu trabalho livremente, assinando por 4 anos a Coluna CULTíssimo.
Minha “Fada” me ensinou que a escrita pode ser uma ponte, um grito de luta, de paz, de união e não existem palavras que eu possa usar para agradecê-la por tudo o que ela proporcionou a mim e a tantos outros escritores e leitores…
Mas tudo o que é bom um dia acaba? Sim e não.
Senti uma tristeza indescritível, um enorme vazio quando o Varal do Brasil encerrou suas atividades…Pela revista e principalmente por minha fadinha, que precisava de um tempo para recuperar suas forças…Foi em meio a toda aquela comoção que decidi aplicar o que a Jacqueline havia me ensinado e criei uma revista digital para “tentar” dar continuidade ao seu trabalho: assim nasceu (com as bênçãos da minha Madrinha) a Revista LiteraLivre, que tem reunido autores de todos os lugares em prol do amor pela escrita.
Hoje estou muito feliz em ver minha Fada Madrinha renascendo com um novo projeto…Sempre guerreira…Uma Fênix que retorna…
Jacqueline querida, muito sucesso em sua nova empreitada e saiba que pode contar comigo sempre.

Obrigada de coração!!!

Bauru

Garoeiro – Natal, RN, 1º de agosto de 2017.
[ Para ela, minha cidade, no seu 121º aniversário... ]










Ó, Bauru, linda cidade,
Onde sonhei tudo então,
Sem ver que tua verdade
Segue fé de dupla mão.

Pessoas talvez confusas
Não perdem seu bom humor,
Adorando às duas Musas,
Em teu úmido calor.

Tua Deusa inicial,
Evidente ao forasteiro,
Trata todo o mundo igual,
Pronta ao último e ao primeiro.

A Outra é um abraço aberto,
Bem fraterno que permites,
Contra o longe, pelo perto,
Capital da Sem Limites.

Tolerante, generoso,
Teu povo vive sonhando,
Sabendo viver gostoso,
Acolhendo e convidando.

Na saudade hoje distante,
Tua dupla qualidade
Em meu peito está pulsante,
Ó, Bauru, minha cidade!

domingo, 30 de julho de 2017

Boemia

Garoeiro – Natal, RN, 30 de julho de 2017.









Bêbados de igual infelicidade,
Bebem seu ser feliz a qualquer preço,
Querendo-me nessa comunidade
Da opção embriagada de avesso.

Dando inclusive a desculpa da idade,
Nego-lhes embarque e não permaneço:
Feliz a qualquer preço é uma vontade
Que fere a nossa dor com desapreço.

Nego a indiferente fuga bacante
Da solidariedade delirante,
Nas mesas da embriaguez contente.

E escapando da noite que extravasa,
Sozinho eu volto andando para a casa,
Vivendo infeliz mas consciente...

sábado, 29 de julho de 2017

Revista Veia Magazine...

















Amor que jaz...

Garoeiro – Natal, RN, 29 de julho de 2017.












No peito a erupção do amor inscreve
Desejo incandescente de fornalha,
Em decisão que nada a ninguém deve,
Numa certeza de impossível falha.

Mas o poder da tradição prescreve,
No rol de suspeições que embaralha,
Aquela ardência passageira e breve,
Fosse a chama do amor fogo de palha.

Amar é até hoje um desafio
Disposto no cuidado doentio,
Opondo ao risco a salvação esquiva.

Por mau pudor se fecha, se defende,
Evita ousar ante o que mais pretende,
Amor que jaz de amor na defensiva...